A Esclerose Sistêmica é uma doença autoimune rara, de causa desconhecida que causa o espessamento e endurecimento da pele e alterações em órgãos internos.
Acomete principalmente mulheres. Pode ter início em qualquer idade, mas na maioria dos casos entre os 40 e 60 anos.
A Esclerose Sistêmica faz parte de um grupo de doenças chamado Esclerodermia (esclero: dura/ dermia: pele). Fazendo parte deste grupo, encontramos também a Esclerodermia Localizada. Farei aqui um adendo para explicar sobre esta doença, muitas vezes confundida com a Esclerose Sistêmica.
A Esclerodermia Localizada é a doença em que ocorre o endurecimento de algumas partes da pele, sem o acometimento de órgãos internos.
A Esclerodermia Localizada é rara, e tende a melhorar em meses até 3 a 5 anos, mas alguns casos podem ser progressivos e refratários. Pode ser tratada pelo dermatologista ou reumatologista. Usamos medicações tópicas e até drogas imunossupressores a depender da extensão do quadro.
Voltemos agora a falar sobre a Esclerose Sistêmica.
Apesar de sabermos que existe um componente genético associado, é muito raro encontrarmos dentro da mesma família mais de um caso de Esclerose Sistêmica.
A principal hipótese para o aparecimento da doença, é a de que em um indivíduo geneticamente susceptível, a ação de fatores como a exposição a sílica e bleomicina possam funcionar como um gatilho.
Em geral, a primeira alteração percebida pelos pacientes é o arroxeamento das mãos e pés seguido por palidez, quando expostos a um ambiente mais frio ou frente a um estresse emocional. A esta mudança de cor, damos o nome de Fenômeno de Raynaud. O Fenômeno de Raynaud pode durar poucos meses ou anos, até que o paciente comece a notar as mãos inchadas e a pele mais endurecida.
O endurecimento da pele tem início nos dedos das mãos, pés e face, e pode avançar progressivamente para o resto do corpo, em uma velocidade variável, dependendo da gravidade do caso.
Não só a pele sofre alterações, mas também as articulações, todo sistema digestivo, os pulmões, o coração e os rins.
O diagnóstico da Esclerose Sistêmica é feito sobretudo através de alterações na pele observadas no exame físico. Completam esta investigação, exames de sangue para identificar alterações imunológicas, exames de imagem como radiografia ou tomografia dos pulmões e a capilaroscopia periungueal.
Os pacientes devem ser seguidos regularmente por um reumatologista capacitado. São necessários boa avaliação clínica, exame físico criterioso e exames complementares adequados. Fazem parte das avaliações, além de exames de sangue e urina, ecocardiogramas, espirometrias e tomografias de tórax em frequências variáveis. Às vezes são necessários também, holter, cateterismo cardíaco e endoscopia digestiva alta.
O tratamento medicamentoso irá depender das manifestações que o paciente apresenta. Para casos com piora rápida e sem resposta aos tratamentos convencionais, o transplante de medula óssea autólogo é uma opção.
No entanto, não basta somente o paciente ter as indicações acima. É preciso que o paciente não tenha nenhuma contraindicação, que são alterações que tornam o transplante um tratamento muito arriscado. Idade maior que 60 anos, insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e fibrose pulmonar avançada são exemplos de contraindicações.
O transplante de medula óssea é um tratamento realizado com altas doses de imunossupressores, e tem trazido resultados promissores, com melhora parcial do espessamento da pele e estabilização da fibrose pulmonar.
Acesse a cartilha informativa para pacientes da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).